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Amigo
dylandoguiano,
Esta
é uma edição digna de registro. Com um termo utilizado pelo criador
do personagem, seria chamada de uma edição dylaniata
que, num trocadilho italiano com o nome do herói, significa...
dilacerada!
Mas
ela não tem nada de dilacerada. É especial porque DD ultrapassou a
marca de três anos de publicação pela Mythos. Também é especial
porque, com este número, tapam-se todos os buracos entre as primeiras
histórias da série italiana: considerando todas as edições
publicadas no Brasil nas séries da Record (11 números entre 08/1991
e 07/1992), Conrad (6 entre 10/2001 e 06/2002) e a da Mythos (33 de
07/2002 a 07/2005), foram lançados todos os gibis italianos do n° 1
ao 41.
Nos
primeiros anos de vida do personagem, no qual foram publicadas essas
41 histórias (entre 1986 e 1990), Dylan Dog tornou-se uma verdadeira
febre na Itália, e as vendas de seus gibis por vezes bateram na casa
do milhão de exemplares. Hoje, quase 20 anos depois de sua estréia,
a febre baixou um pouco, mas o número de leitores contaminados
na Velha Bota ainda é respeitável, e se conta em centenas de
milhares.
“Mas
a soma das três séries brasileiras dá 50”. Sim, porque duas
histórias foram publicadas duas vezes - a do italiano n° 1 (n° 1 da
Record e n° 2 da Conrad) e a do n° 8 (n° 8 da Record e n° 5 da
Conrad) - e sete são de edições posteriores ao gibi italiano n°
41. Essas sete aventuras foram antecipadas pelo simples fato de
serem pequenas obras-primas dilandoguianas, e fazem parte do Top
Ten, as dez melhores aventuras de DD apontadas por quem mais
entende do assunto, os leitores, segundo apuração do prestigiado
site da revista eletrônica italiana uBC (www.ubcfumetti.com).
São
elas:
DD
italiano 51 (Mythos 20, O Mal), ótima estréia do
desenhista Bruno Brindisi na Sergio Bonelli Editore, com citações
cinematográficas, como o filme a que Dylan vai assistir (The
Hidden, no Brasil O Escondido), que serviu de inspiração
para Sclavi escrever o argumento do próprio gibi.
DD
italiano 61 (Mythos 15, Terror do Infinito), segunda
prova de Bruno Brindisi com DD, o início da trilogia
extraterrestre, que se completa com as edições 131 (ver abaixo)
e 136.
DD
italiano 66 (Mythos 4, Partida Com a Morte), uma das
histórias sempre presentes na lista das Dez Mais da série, na
qual um homem desafia a morte para uma partida de xadrez, no melhor
estilo de O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman.
DD
italiano 74 (Mythos 5, O Longo Adeus), uma história
de Dylan sem monstros, sem sangue, sem homicídios. Só poesia, e da
melhor qualidade. O passado de DD, seu primeiro monstro, como ele
conseguiu seu revólver... considerada a obra-prima dos roteiristas
Mauro Marcheselli e Tiziano Sclavi, inspirou outros autores, dentre
eles Ade Capone, criador de Lazarus Ledd, cuja história Heróis
é considerada uma das melhores de seu personagem. E foi inspirada em O
Longo Adeus.
DD
italiano 81 (Conrad 1, Johnny Freak), para muitos
simplesmente a história mais bela de toda a série. Outro fruto de
Marcheselli e Sclavi, quando de seu lançamento na Itália levou
muitos críticos ferrenhos, daqueles que consideram HQ uma patologia
da sociedade de consumo, a rever seus pontos de vista. Não há como
segurar uma profunda suspirada ao final da leitura. Quatro anos
depois, com a edição italiana n° 127 (ainda inédita no Brasil),
Johnny retornou. Ou parece.
DD
italiano 100 (Mythos 1, A História de Dylan Dog),
entre complexo de Édipo, em que DD se apaixona pela mãe, e figura má
do pai, os autores pretenderam unir pontos e revelar fatos do passado
do personagem. Para quem nunca leu DD antes desta história, é possível
que tenha boiado, mas quem já o conhecia das editoras
anteriores soltou belos “ah, então era isso!”.
DD
italiano 131 (Mythos 23, Quando Caem as Estrelas),
segunda parte da trilogia extraterrestre, que se completa com a
história Lá em Cima Alguém nos Chama (DD it. 136, ainda inédita
no Brasil). As três histórias - ligadas mas que podem ser apreciadas
isoladamente - foram recentemente reunidas e publicadas em cores no
volume 11 dos Clássicos dos Gibis - Série Ouro do jornal
italiano La Repubblica.
Em
tempo:
Esta
é a íntegra do texto escrito publicado nesta edição de Dylan Dog,
escrito por Júlio
Schneider, de Curitiba, PR, BrasilLeia
também o texto
comemorativo aos 3 anos de Dylan Dog no Brasil, escrito por João
Alessandro Muller, de Frederico Westphalen, RS, Brasil.
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